1. Resumo
A Snowflake é uma empresa de plataforma de dados na nuvem que está a conseguir acelerar o crescimento, graças à procura por IA. Nos resultados de 2 de setembro de 2026 (2.º trimestre do ano fiscal de 2027), a receita de produto cresceu 37% e a gestão subiu a previsão anual.
A cotação fechou a 13 de outubro em 357,76 USD, cerca de +63% desde o início de 2026. A avaliação é exigente e a empresa continua com prejuízo contabilístico (GAAP).
Os analistas são claramente otimistas, mas esse otimismo já está parcialmente refletido no preço.
2. O que é
- Negócio: a Snowflake (sede em Menlo Park, Califórnia) vende uma plataforma de dados e IA na nuvem, a que chama “AI Data Cloud”. A empresa diz ter mais de 14.500 clientes e cerca de 7.800 colaboradores.
- Modelo de receitas: baseado em consumo. Os clientes pagam consoante a computação, o armazenamento e a transferência de dados que usam, e não por uma subscrição fixa. Isto torna a receita mais sensível ao comportamento dos clientes de trimestre para trimestre. A receita de produto representa cerca de 96% do total.
- Produtos de IA em destaque: a empresa refere os agentes CoCo (apoio à programação) e CoWork, com mais de 9.100 e 5.800 contas respetivamente, segundo a Snowflake.
- Setor: software de infraestrutura de dados. O ano fiscal termina a 31 de janeiro. Não encontrei, nas fontes consultadas, uma repartição fiável da receita por geografia, por isso não a indico.
3. Situação atual
Resultados (facto, Business Wire, 2 set. 2026, trimestre terminado a 31 jul. 2026):
- Receita total de 1,55 mil milhões USD (+35%). Receita de produto de 1,49 mil milhões USD (+37%).
- Retenção líquida de receita (NRR) de 126% e obrigações de desempenho remanescentes (RPO) de 9,00 mil milhões USD (+30%).
- Margem bruta de produto não-GAAP de 74,7% e margem operacional não-GAAP de 15,3%.
- Em GAAP, a empresa teve prejuízo operacional de 263,0 milhões USD e prejuízo líquido de 191,7 milhões USD. As remunerações em ações (cerca de 423,6 milhões USD no trimestre) explicam grande parte da diferença face aos números não-GAAP.
- Cash flow livre do trimestre de 83,8 milhões USD (5,4% da receita).
- Balanço a 31 jul. 2026: 1,71 mil milhões USD em caixa, 0,64 mil milhões em investimentos de curto prazo, 1,98 mil milhões em investimentos de longo prazo e 2,28 mil milhões em obrigações convertíveis.
Orientação da empresa (projeção da gestão): receita de produto de 1.588 a 1.593 milhões USD no 3.º trimestre (+37% a +38%). Para o ano fiscal de 2027, receita de produto de 6,07 mil milhões USD (+36%, acima dos 5,84 mil milhões anteriores), margem operacional não-GAAP de 14,5% e margem de cash flow livre ajustado de 23%.
Face às expectativas: o lucro por ação não-GAAP foi de 0,62 USD, contra 0,45 USD esperados pelos analistas consultados pela LSEG (CNBC, 3 set. 2026).
Avaliação: segundo o Yahoo Finance (início de outubro de 2026), a ação negociava a cerca de 151 vezes os lucros esperados para o ano fiscal de 2027, com base no lucro não-GAAP. A capitalização rondava os 106 mil milhões USD quando a cotação estava perto de 356 USD (TheStreet, setembro de 2026).
Reação do mercado: a ação fechou a 305,84 USD a 2 de setembro, antes dos resultados (Indmoney). Subiu cerca de 21% a 24% no dia seguinte, e a 13 de outubro fechou a 357,76 USD (ChartRow).
Performance passada
Retornos totais por ano civil, em USD, com dividendos reinvestidos (a Snowflake não paga dividendos, pelo que coincidem com a variação do preço). 2026 vai até 13 de outubro. Fonte: ChartRow, 13 out. 2026.
A ação teve anos muito voláteis: caiu 57,6% em 2022 e subiu 42,1% em 2025, e 2026 é até agora o melhor ano da série. O ritmo anualizado desde 2021 foi de cerca de 6% ao ano, ou seja, bem abaixo do que os anos bons sugerem.
4. O que dizem os analistas
Opiniões (fontes de início/meados de outubro de 2026):
- Yahoo Finance: de 46 analistas, 37 têm “Strong Buy”, 3 “Moderate Buy”, 5 “Hold” e 1 “Strong Sell”. O preço-alvo médio é de 425,91 USD e o máximo de 525 USD.
- MarketBeat: 41 analistas, consenso “Moderate Buy”, alvo médio de 414,24 USD, máximo de 525 USD e mínimo de 250 USD. O Investing.com ainda mostra um mínimo de 110 USD, que parece desatualizado, pelo que uso o mínimo mais recente.
- Revisões após os resultados: Morgan Stanley subiu o alvo de 300 para 470 USD, e o Bank of America de 395 para 470 USD (CNBC, 3 set.). A Citi foi de 395 para 490, a Stifel de 350 para 450, a Needham de 330 para 450 e a BTIG de 340 para 424 USD (Benzinga e Yahoo Finance).
Argumentos otimistas: o Morgan Stanley fala de um “volante” de crescimento impulsionado pela IA e de visibilidade para um crescimento perto de 40% no segundo semestre. O motivo é a aceleração da receita de produto pelo terceiro trimestre seguido.
Argumentos pessimistas: a subida de 2026 deixou a avaliação esticada, e a rentabilidade em GAAP continua negativa. Algumas notas de análise avisam que as expectativas estão a subir mais depressa do que os lucros, o que deixa a ação vulnerável se o crescimento abrandar.
5. Cenários (ilustrativos, não são previsões)
Os valores abaixo são apenas aritmética sobre alvos de analistas a 12 meses, comparados com o fecho de 357,76 USD a 13 de outubro de 2026. Não são projeções nossas.
| Cenário | Referência | Variação face a 357,76 USD |
|---|---|---|
| Otimista | Alvo mais alto: 525 USD | cerca de +47% |
| Base | Alvo médio: 414 a 426 USD | cerca de +16% a +19% |
| Pessimista | Alvo mais baixo: 250 USD | cerca de -30% |
Os analistas acertam muitas vezes só em parte, e os alvos mudam rapidamente depois de cada relatório de resultados.
6. Principais riscos
- Avaliação: um múltiplo de lucros muito elevado deixa pouca margem para desilusões.
- Receita por consumo: como depende do uso dos clientes, pode oscilar se estes otimizarem custos ou reduzirem consumo.
- Prejuízos GAAP e remunerações em ações: a rentabilidade só aparece nas métricas não-GAAP.
- Diluição e dívida: a empresa tem convertíveis em circulação (2,28 mil milhões USD no balanço) e anunciou uma colocação privada de 3,75 mil milhões USD de novas convertíveis, segundo a lista de notícias da Business Wire. Não confirmei a data exata.
- Concorrência e disrupção por IA: a própria empresa identifica a concorrência e a rápida evolução da IA como riscos nos seus avisos legais.
- Volatilidade: a ação já caiu mais de 55% num ano e mais de 20% noutro, como mostra o gráfico acima.
7. Fontes
- Snowflake / Business Wire: resultados do 2.º trimestre do ano fiscal 2027 (2 set. 2026)
- CNBC: Morgan Stanley e Bank of America sobem alvos (3 set. 2026)
- Benzinga: revisões de alvos após os resultados (set. 2026)
- Yahoo Finance: consenso e alvos (início de out. 2026)
- Yahoo Finance / TheStreet: capitalização e alvo do Morgan Stanley (set. 2026)
- MarketBeat: consenso de analistas (cerca de 12 out. 2026)
- ChartRow: retornos anuais (fecho de 13 out. 2026)
- Indmoney: análise dos resultados do 2.º trimestre (set. 2026)
Aviso: informativo, não constitui aconselhamento financeiro. Rentabilidades passadas não garantem resultados futuros. Esta análise foi efetuada com o apoio de Inteligência Artificial




