Análise com dados até 15 de outubro de 2026.
1. Resumo
- A Rocket Lab fatura cada vez mais (receita do 2.º trimestre de 2026: 234 M USD, +62% em termos homólogos) e tem uma carteira de encomendas recorde de 2,36 mil M USD, mas continua a ter prejuízo.
- Em 14 de outubro a empresa adiou o primeiro voo do Neutron para 2027, por defeitos de fabrico numa peça em fibra de carbono. A ação caiu cerca de 8% nesse dia e mais de 10% na manhã seguinte.
- Os analistas continuam maioritariamente positivos, mas os preços-alvo são anteriores ao adiamento. A aquisição da Iridium, ainda por concluir, acrescenta potencial e risco.
2. O que é
A Rocket Lab (Nasdaq: RKLB, sede em Long Beach, Califórnia) é uma empresa espacial integrada. Constrói e lança foguetões, fabrica satélites e componentes (painéis solares, rodas de reação, software) e presta serviços de missão a clientes comerciais, governamentais e de defesa. Os foguetões Electron (pequeno porte) e HASTE (testes hipersónicos) já voam. O Neutron, reutilizável e de médio porte, ainda não voou. A empresa opera sobretudo nos EUA e na Nova Zelândia, onde fica a base de lançamento de Electron, e está a abrir uma filial na Alemanha. A maior parte da receita vem da área de sistemas espaciais (satélites e componentes), não dos lançamentos.
Em 29 de junho de 2026 anunciou a compra da Iridium Communications, operadora de satélites de comunicações, num negócio avaliado em cerca de 8 mil M USD de valor da empresa (enterprise value). A Iridium receberia 54 USD por ação, 27 USD em dinheiro e o resto em ações da Rocket Lab. A parte em ações está sujeita a uma banda de preços (entre 67,50 e 112,50 USD). A conclusão está prevista para meados de 2027, dependente de aprovações regulatórias e dos acionistas.
3. Situação atual
Resultados do 2.º trimestre de 2026 (SEC, 10/08/2026)
- Receita: 234,1 M USD (144,5 M no ano anterior). Os 6 meses somam 434,4 M USD.
- Margem bruta: 36,1% em termos GAAP (cálculo meu a partir dos valores publicados) e 41,5% em termos non-GAAP, segundo a empresa.
- Resultado: prejuízo operacional de 57,5 M USD e prejuízo líquido de 49,3 M USD (0,08 USD por ação). O EBITDA ajustado foi de -8,8 M USD, bem melhor do que os -27,6 M do ano anterior.
- Caixa e financiamento: 2,13 mil M USD em caixa e equivalentes no fim de junho, mais cerca de 258 M USD em títulos negociáveis. No 1.º semestre, a empresa captou 1,53 mil M USD com emissões de ações no mercado (programa ATM). O caixa operacional foi negativo em 134,4 M USD. Isto significa diluição dos acionistas: as ações ordinárias em circulação subiram de 543,6 M para 598,2 M desde dezembro de 2025.
- Orientação para o 3.º trimestre: receita entre 250 e 265 M USD e EBITDA ajustado entre -17 e -23 M USD. São projeções da gestão, não factos.
Avaliação e cotação
A ação fechou a 14 de outubro a 59,18 USD, com uma capitalização de cerca de 37,3 mil M USD (Trefis). Na manhã de 15 de outubro negociava perto de 52,85 USD (24/7 Wall St.). O máximo das últimas 52 semanas ronda os 151 USD, em maio de 2026. Face à receita dos últimos 12 meses (cerca de 769 M USD, soma que fiz a partir dos dados da empresa), a capitalização de 14 de outubro equivale a cerca de 48 vezes as vendas. Não encontrei uma métrica de avaliação por lucros utilizável, porque a empresa tem prejuízo.
Desempenho passado
Retornos totais anuais em USD (a Rocket Lab não paga dividendos). Fontes: totalrealreturns.com (2021-2025) e Trefis (2026, desde o início do ano até 14/10/2026, antes da queda de dia 15; o valor não é diretamente comparável com os anos completos).
Em cinco anos completos houve quatro subidas e uma queda profunda. Os dois últimos anos foram excecionais, e o ano de 2026 mostra o outro lado: a ação chegou a atingir máximos em maio e perdeu depois mais de metade do valor. A volatilidade é muito elevada (beta de cerca de 2,9, segundo o Google Finance de 5 de outubro).
4. O que dizem os analistas
Factos (MarketBeat, 14/10/2026): dos analistas que cobrem a ação, 4 têm recomendação “Strong Buy”, 15 “Buy”, 5 “Hold” e 1 “Sell”. O consenso é “Moderate Buy” e o preço-alvo médio ronda os 104,71 USD. Segundo a Bullstory (1/10/2026), os alvos vão de 64 USD a 150 USD (o mais alto é da New Street Research, de maio). Outras fontes dão números ligeiramente diferentes, porque contam analistas e períodos diferentes. A Citi iniciou cobertura em 1 de outubro com “Buy” e alvo de 105 USD. A Piper Sandler iniciou em julho com “Neutral” e alvo de 83 USD. A Cantor Fitzgerald manteve “Overweight” e 122 USD depois do anúncio do adiamento.
Atenção: a maioria destes alvos foi fixada antes de 14 de outubro, pelo que podem vir a ser revistos.
Argumentos otimistas (opinião de analistas)
- Carteira de encomendas de 2,36 mil M USD (+137% em termos homólogos, segundo a empresa), com mais de 90 lançamentos contratados.
- Contratos de defesa relevantes, incluindo 397 M USD ligados ao programa SB-AMTI da Força Espacial dos EUA e mais de 160 M USD para satélites geoestacionários.
- A Iridium daria receitas recorrentes: segundo uma fonte secundária (americancompanies.com), 871,7 M USD de receita e cerca de 495 M USD de EBITDA operacional em 2025.
Argumentos pessimistas (opinião de analistas e imprensa)
- Avaliação elevada para uma empresa com prejuízos e caixa operacional negativo.
- Atrasos repetidos no Neutron, que condicionam parte dos contratos de maior valor.
- Diluição crescente e execução de uma aquisição grande. Segundo a MarketBeat, o diretor financeiro vendeu cerca de 9,9 M USD em ações.
5. Cenários (ilustrativos, não são previsões)
Os valores abaixo são referências retiradas dos preços-alvo publicados por analistas (anteriores ao adiamento do Neutron). Não são projeções minhas.
| Cenário | Condições | Referência de preço-alvo |
|---|---|---|
| Otimista | Neutron voa com sucesso em 2027, backlog converte-se em receita e a Iridium fecha sem sobressaltos. | Até 150 USD (valor mais alto) |
| Base | Crescimento de receita mantém-se, mais algum atraso ou diluição, margens a melhorar devagar. | Cerca de 104,71 USD (média) |
| Pessimista | Novos atrasos no Neutron, mais emissões de ações, tensão no financiamento da Iridium. | Cerca de 64 USD (valor mais baixo); a cotação de 15/10 já está abaixo desta referência |
6. Principais riscos
- Execução do Neutron: a data do primeiro voo passou para 2027, sem data fixa. Parte dos contratos depende deste foguetão.
- Diluição e financiamento: a empresa continua a consumir caixa e já recorreu a emissões de ações. Uma fonte secundária refere ainda uma linha-ponte de 3,6 mil M USD ligada à Iridium.
- Integração da Iridium: o negócio só deve fechar em meados de 2027. A cotação atual está abaixo do limite inferior da banda de 67,50 USD, e o efeito concreto depende dos termos do acordo, que não verifiquei em detalhe.
- Concorrência: a imprensa aponta a pressão da SpaceX e de outras operadoras sobre o setor espacial.
- Volatilidade e sentimento: a ação desceu 6 sessões seguidas até 14 de outubro (Trefis) e as variações diárias de dois dígitos já aconteceram.
- Contratos governamentais: a dependência de programas de defesa dos EUA traz risco de atrasos ou de cancelamentos.
7. Fontes
- Rocket Lab, comunicado de resultados do 2.º trimestre de 2026 (SEC), 10/08/2026
- Anúncio da aquisição da Iridium, 29/06/2026
- American Companies, dados da Iridium e financiamento (fonte secundária), 2026
- Reuters/Investing.com, adiamento do Neutron, 14/10/2026
- Benzinga, defeito na cúpula do Neutron, 15/10/2026
- 24/7 Wall St., cotação de 15/10/2026
- Trefis, capitalização, sequência de quedas e desempenho no ano, 15/10/2026
- MarketBeat, consenso de analistas, 14/10/2026
- Bullstory, intervalo de preços-alvo, 01/10/2026
- Total Real Returns, retornos anuais, 28/07/2026
- Google Finance, beta e dados de cotação, 05/10/2026
Aviso: informativo, não constitui aconselhamento financeiro. Rentabilidades passadas não garantem resultados futuros. Esta análise foi efetuada com o apoio de Inteligência Artificial




